16/08/2018 às 15h29min - Atualizada em 16/08/2018 às 15h29min

Confusão da propina: JBS diz que R$ 5 milhões em notas eram para Reinaldo e não André

EDIVALDO BITENCOURT
ojacaré
Gilmar Prado
Mais detalhes do depoimento do empresário Wesley Batista, um dos donos da JBS, prestado para a Polícia Federal em dezembro do ano passado, mostra confusão feita pela empresa sobre os beneficiários do suposto esquema milionário de corrupção. Seis notas frias, que somam R$ 5,003 milhões, teriam sido emitidas para justificar o pagamento de propinas ao governador Reinaldo Azambuja (PSDB) no início de 2016.

No entanto, na delação premiada homologada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, a JBS colocou as notas no anexo 21 como se fossem para o ex-governador André Puccinelli (MDB), preso desde o dia 20 de julho deste ano na Operação Lama Asfáltica.

Ao falar com a delegada Cynthia Pereira Fonseca, na Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, em 15 de dezembro do ano passado, Wesley pediu para corrigir o destinatário das notas.

As seis notas emitidas entre os dias 11 de janeiro e 5 de fevereiro de 2016, conforme o empresário, foram relacionadas erroneamente na cota de André. “Na verdade os pagamentos listados na verdade (sic) também foram direcionados para o governador Reinaldo Azambuja”, afirmou.

No depoimento, que consta do inquérito 1.190 no Superior Tribunal de Justiça, ele revelou que a JBS estimou em R$ 70 milhões o total de propina paga ao tucano. No entanto, como houve a antecipação de R$ 17 milhões em 2014, o valor repassado após a posse no Governo teria sido de R$ 53,5 milhões, conforme o empresário. O tucano não concordou com a conta da empresa, de que já tinham sido pagos R$ 27 milhões e o acordo reduziu o montante.

Wesley Batista garante que Reinaldo recebeu R$ 33,5 milhões em propina por meio de notas fiscais frias fraudulentas. Outros R$ 20 milhões teriam sido repassados em dinheiro vivo pelo operador da empresa em São Paulo, Florisvaldo Caetano de Oliveira.

Como O Jacaré já tinha publicado em maio deste ano, o empresário também corrigiu o valor das notas emitidas pelo pecuarista Élvio Rodrigues, o dono da Fazenda Santa Mônica, em Corumbá. A Justiça chegou a suspender a autorização do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para ele desmatar 20 mil hectares no Pantanal, mas a devastação foi permitida pelo atual presidente do tribunal, desembargador Divoncir Schreiner Maran.

Conforme o depoimento, o valor pago em notas emitidas por Rodrigues passou de R$ 7,6 milhões para R$ 9,1 milhões.

Desde o início da delação premiada da JBS, Reinaldo tem reiterado que é vítima de chefes de facção criminosa, no caso, os irmãos Batista. Ele tentou anular o acordo de colaboração premiada, mas o pedido foi negado pelo STF.

O discurso do governador ganhou força com a decisão do Ministério Público Federal de pedir a rescisão da delação premiada da JBS. O objetivo é suspender o benefício acordado inicialmente de dar o perdão judicial aos delatores. Como eles omitiram fatos e até mentiram para a Justiça, a procuradoria quer condená-los pelos crimes praticados.

No entanto, para desalento da classe política, o STF e o MPF não pretendem invalidar as provas apontadas pela JBS.

 

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