24/07/2019 às 14h49min - Atualizada em 24/07/2019 às 14h49min

Sem data para soltura, Campo Grande terá fábrica de mosquito "antidengue" Início ainda este ano foi descartado pela representante da Fiocruz em Mato Grosso do Sul

Jones Mário
campograndenews
Larvas do mosquito Aedes Aegypti encontradas durante ação contra a dengue em bairros de Campo Grande (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)
O escritório técnico da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em Mato Grosso do Sul prepara projeto executivo para construção de “fábrica de mosquitos”. A unidade servirá ao projeto de soltura do Aedes aegypti – transmissor da dengue, zika vírus, febre chikungunya e febre amarela – infectados com a bactéria Wolbachia pipentis, em técnica que pretende inibir a transmissão das doenças.

A responsável pelo escritório estadual, Jislaine de Fátima Guilhermino, explica que a fábrica precisa ser construída para dar início à inoculação da bactéria nos vetores capturados. “Ainda não há um projeto executivo da obra. Estamos ainda definindo um local para construção. Isso é em um segundo momento”, disse, durante a 71ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), no campus da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em Campo Grande.

“Em um primeiro momento, a gente precisa fazer um trabalho de sensibilização dos profissionais da saúde, dos agentes de vigilância epidemiológica e da população. Esclarecer todas as questões relacionadas à tecnologia de inoculação da bactéria, tranquilizar as pessoas com relação a questão de que é uma bactéria que existe na natureza e que não é prejudicial à saúde humana”, complementa.

A Fiocruz já opera fábrica de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia no Rio de Janeiro. A estrutura tem capacidade de produção semanal de 10 milhões de ovos do mosquito com a bactéria. O projeto piloto de soltura dos mosquitos modificados começou em Niterói (RJ), no fim de 2016.

De acordo com Jislaine, não há data para iniciar a soltura em Campo Grande. O início ainda este ano foi descartado pela representante da Fiocruz no Estado.

Recentemente, a CCEV (Coordenadoria de Controle de Endemias Vetoriais), subordinada à Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) confirmou que as Moreninhas, na região sul da Capital, deve ser uma das primeiras a receber os mosquitos inoculados com a bactéria antidengue.

Além de Campo Grande, Belo Horizonte (MG) e Petrolina (PE) também receberão Aedes modificados nesta fase do projeto.

Dengue – Segundo dados do último boletim epidemiológico da dengue divulgado pelo Serviço de Vigilância Epidemiológica da Sesau, no dia 3 de julho, o número de notificações da doença em junho caiu 70% em comparação com maio, em Campo Grande.
Conforme o boletim, junho registrou 2.042 notificações, o menor número do ano. Em maio, foram registrados 6.930 casos notificados de dengue, uma redução de 70%. Além disso, nos dois últimos meses, segundo o boletim, em maio e junho, nenhuma confirmação, caso grave e óbito foram detectados na Capital

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