27/09/2019 às 16h42min - Atualizada em 27/09/2019 às 16h42min

Perseguição do PSL pode custar expulsão de deputado

Presidente municipal do partido disse que postura de parlamentar deve ser avaliada pela Executiva

IZABELA JORNADA E YARIMA MECCHI
Correio do Estado
Coronel David é amigo do presidente Jair Bolsonaro - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

A suspeita de que o celular teria sido invadido por hacker e de que foi direcionado por alguém do PSL de Campo Grande poderá resultar em expulsão do deputado Coronel David da sigla. Durante sessão, ontem, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS), o presidente da Executiva Municipal e colega de bancada de David, Renan Contar, disse que seu correligionário terá de se explicar sobre tais acusações e sanções poderão ser aplicadas. “A expulsão do deputado está acima do meu poder, mas, com certeza, algo será feito. Alguma medida será tomada”, declarou Contar, que deve se reunir com a Executiva do partido.

Em contrapartida, David declarou que ficou triste por não ter tido o apoio da legenda em relação à suspeita. “Como integrante, eu merecia o mesmo apoio que o deputado Contar me ofereceu em tribuna”, disse ele ao se referir à nota de repúdio que a presidente da Executiva Estadual e senadora, Soraya Thronicke, enviou à imprensa na quarta-feira (25).
Os conflitos entre a Executiva Estadual e David não são de hoje. O parlamentar chegou a ameaçar sair do partido por se sentir desrespeitado pela senadora. Ele alega que ajudou a construir a sigla no Estado e que sempre trabalhou para o crescimento do PSL em Mato Grosso do Sul.

Uma das insatisfações apontadas por David foi em relação à convenção que ocorreu em julho e que elegeu o novo presidente da sigla municipal, Capitão Contar, em vez de reconduzir David ao cargo, já que ele era o líder anteriormente. De acordo com David, além de ser excluído de reuniões, ele não foi convidado a participar da convenção. 

O atual conflito se deu após David votar a favor de homenagem em que o ex-senador Delcídio do Amaral (PTB) recebeu Mérito Legislativo de deputados estaduais. Vídeo feito por integrante do PSL de Brasília, Bruno Gomides, em que o parlamentar é criticado por “homenagear um homem corrupto, que já foi preso, um homem do centrão chamado Delcídio do Amaral, homem que não tem credibilidade nenhuma com a sociedade brasileira e que vai totalmente contra o que o PSL e o presidente Bolsonaro pensam”, começou a ser compartilhado via WhatsApp.

Em seguida, na noite de terça-feira (24), o deputado declarou que o vídeo havia sido compartilhado em seu status pessoal, configurando a invasão do aparelho

Coronel David desconfiou de integrante da Executiva Municipal porque no vídeo de Gomides ele cita o nome da senadora dizendo que ela é “uma grande amiga”. Uma das pessoas que foram identificadas por ter compartilhado o vídeo de Gomides é um jovem de 20 anos chamado Mateus Corrêa. O deputado disse em tribuna sobre suas desconfianças. “Uma pessoa do PSL de Brasília, orientada pelo PSL de Campo Grande, fez um vídeo me acusando de ter homenageado o senador Delcídio do Amaral. (...) Eu honro o meu mandato, eu honro as diretrizes do meu partido. Não teve orientação do partido para que fosse contra. Não traí minha ideologia nem as pessoas que confiam em mim” disse. 

Em contrapartida, Contar declarou que considera o vídeo legítimo e que é direito de todos expressarem suas opiniões. “O problema não é o vídeo em si, e sim a possibilidade de ter o celular invadido, isso é crime e vamos averiguar, e se isso for comprovado vou publicar nota de repúdio assinada por mim mesmo”, declarou.

Procurado pelo Correio do Estado para comentar as possíveis sanções do partido com relação ao seu discurso na tribuna, Coronel David não foi encontrado.
 

PARTIDO

Em nota, a senadora Soyara Thronicke repudiou as declarações de Coronel David e ainda destacou que tomará medidas judiciais. Também por meio de nota, David se manifestou sobre as declarações da senadora. “A referida nota traz fatos totalmente divorciados da realidade e, ao invés de repudiar o ato criminoso contra um parlamentar da sigla, que teve seu celular invadido por hackers na noite de terça-feira (24), traz narrativa que, de maneira paradoxal e injustificável, pretende transformar a vítima em algoz”, declarou o deputado.

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