19/07/2018 às 16h58min - Atualizada em 19/07/2018 às 16h58min

FABIO ASSUNÇÃO FALA SOBRE BATALHA CONTRA VÍCIO: "É UM TRABALHO DIÁRIO"

Ator, que se despediu esta semana de 'Onde Nascem os Fortes', já foi internado em clínicas de reabilitação para tratar a dependência química

QUEM ACONTECE
Fabio Assunção (Foto: Fernando Young/Revista Trip )

Fabio Assunção, que se despediu nesta segunda-feira (16) da série Onde Nascem os Fortessérie em que deu vida ao vilão Ramiro, afirma em entrevista à Trip deste mês que sente que está no momento de maior maturidade na carreira. Na vida, o ator busca manter o essencial por perto, deixar uma marca positiva nos filhos e não interromper sua batalha pessoal contra a dependência química. "É um trabalho diário mesmo. Não sei como é para cada um. Mas é isso. Eu acho que, tendo foco, é possível", diz.

Na entrevista, ele fala sobre a dificuldade de encarar sua dependência química sendo a figura midiática que é. "A primeira vez que achei que as coisas estavam saindo do meu controle, em 2008, fui ao AA [Alcoólicos Anônimos]. Estava me sentindo envergonhado, muito preocupado com as pessoas saberem. Cara, na hora em que eu saí, tinha um paparazzo do lado de fora. Então, eu nunca tive a possibilidade de viver esse processo com privacidade", lembra, acrescentando as possíveis razões para o vício.

"Se você está feliz, se está com saudade, se tem uma perda ou se acaba um relacionamento, tem que vivenciar isso e dói. Essas coisas… Todo mundo sente o impacto desses sentimentos, não são sentimentos fáceis. Então acho que [fazer uso de substâncias químicas] foi uma forma de não sentir, uma coisa que eu não tinha preparo para me relacionar".


Para o ator, as pessoas sofrem por várias razões. "Por medo, ou porque são eufóricas, ou porque são deprimidas, ou porque sentem muita raiva. O equilíbrio é você aprender a lidar com essas forças a seu favor e a favor do mundo. Essa não é uma questão exclusiva das pessoas que têm ou tiveram histórico de uso de alguma substância, seja ela lícita ou ilícita, porque tem muita gente que desenvolve dependência de substâncias lícitas. A gente está aprendendo, não é uma resposta que só eu preciso encontrar", afirma.

PRIVACIDADE

Ele ainda fala sobre ter sua privacidade respeitada. "No começo, sendo mais novo, eu era muito mais abordado, mas achava muito legal, não era desconfortável. Hoje, já vejo de outra forma, gosto de estar num mesmo espaço que outras pessoas, mas sem holofote", conta, aproveitando para falar sobre seu namoro com Maria Ribeiro. "Faz quatro meses que estamos juntos, mas a gente se conhece há muitos anos. Tivemos esse reencontro agora só. Está num momento incrível. Viajo sempre que acabo um trabalho, agora eu vou viajar para a Itália. Vamos eu e Maria para Itália".

O ator ainda comenta sobre sua filiação ao PT em 2017. "Tive um convite do Lula numa conversa que tivemos em um jantar. Ele queria formar uma comissão para discutir política de drogas e queria que eu participasse. Falei que sim. E a gente fez algumas reuniões, ele disse que era muito importante conversar sobre isso com as famílias brasileiras", diz, aproveitando para dar sua opinião sobre o tema. "O Brasil tem muito o que mudar nessa área, que é muito central. Se jogar a droga na ilegalidade, ela vira um instrumento de extermínio. É muito pesado o que falei, mas o que o Dória fez na Cracolândia foi uma violação de direitos humanos flagrante, uma coisa absurda".

Considerado galã por anos, Fabio explica o que acha do rótulo. "Quando você começa a trabalhar, fica chateado quando te chamam de galã. ‘Porra, não estão reconhecendo meu trabalho!’ Mas hoje já acho legal. ‘O cara não consegue escapar do galã!’ Acho maneiro. ‘Até de barba o cara continua galã!’ Poxa, obrigado, pessoal, valeu", diz.

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